Uma matéria publicada hoje na BBC Brasil conta o caso de John, 61, e Jenny, 39, pai e filha, que vivem como marido e mulher na Austrália. A relação dos dois tornou-se pública nesse domingo, após depoimento a uma rede de TV local, e causou alvoroço no país. O que me chamou a atenção não foi o incesto nem o alvoroço, mas a foto da filha do casal e a legenda: Filha do casal, que nasceu saudável, desafiou tabu.
Não se sabe ao certo por que, mas todas as civilizações de todos os tempos rechaçaram o incesto. O tema foi objeto de estudo de pensadores importantes como Freud e Levi-Strauss. O entomologista americano Edward O. Wilson definiu a aversão ao incesto como uma regra epigenética: o comportamento já estaria ‘programado’ nos nossos genes, e os valores culturais fariam com que ele ‘aparecesse’. Seja de ordem biológia ou cultural, ou uma união dos dois, o fato é que o tabu do incesto não pode ser ‘desafiado’ por uma filha saudável. O incesto em humanos nunca pode existir porque ele diminui a variabilidade genética de seus filhos. A variabilidade genética é importante porque ela dá a possibilidade de um gene defeituoso possuir uma cópia sã que poderá desenvolver a sua função sem problemas. Em filhos de parentes muitos dos genes são idênticos, já que vieram de uma mesma linhagem, e não existe essa ’segunda chance’. Um exemplo bastante comum é a surdo-mudez em filhos de primos. Para isso existe até aconselhamento genético: o geneticista faz uma árvore genealógica com as doenças da família e calcula porcentagens para as principais doenças. Mais informações aqui.
Escrito por sociencia 
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